O Trânsito dos bichos



São Paulo, 09 de março de 2006


Quando pensamos na temática trânsito, as primeiras coisas que vêem a nossa mente são: a sensação de movimento, de deslocamento, de ação, etc., nesse sentido, é interessante observar que tais atitudes representam “comportamentos” dos atores que influenciam e são influenciados pelo meio ambiente no qual estão inseridos.

Em relação aos animais aquáticos, de um modo geral, eles apresentam características de comportamentos similares, ou seja, ao observarmos um cardume, podemos verificar que eles se movimentam de forma harmônica e com extrema sutileza, no qual não entram em conflito os movimentos individuais com o movimento coletivo dos peixes.

Assim como os animais aquáticos, os terrestres e os que utilizam o espaço aéreo, possuem o mesmo padrão de comportamento. Seus deslocamentos se dão de forma tranqüila. Quero dizer com isso, que não há a necessidade de um orientador de tráfego (agente de trânsito) nestes meios de deslocamentos (aquático, aéreo e terrestre). Cada ser possui um mecanismo no qual é respeitada a distância frontal e lateral que os impede de colidir entre si. É certo de que jamais veremos um animal na condução de um veículo, como por exemplo: uma girafa ciclista, ou uma baleia ao volante, etc.

Estes aspectos nos fazem refletir. Qual o mecanismo de deslocamento que estes animais possuem, no qual a segurança parece está em primeiro lugar. Há um código ou regra geral de circulação no qual todos seguem e obedecem, sem haver necessidade de sanções ou punições. O sentido de coletividade prevalece no grupo e não os interesses individuais.

Basicamente, os animais em geral necessitam efetuar seus deslocamentos em função da própria sobrevivência da espécie e não em relação ao lazer, compras, compromissos sociais, etc. Não existem centros comerciais no qual estes animais necessitam se deslocar para realizar seus desejos de consumo. Não há a obrigatoriedade de deslocamentos para os estudos, trabalho ou aquisição de bens.

Em suma, a visão de trânsito destes seres é bem diferente da óptica humana. Os grandes deslocamentos dos animais se dão em função dos movimentos migratórios e das mudanças climáticas, no qual o homem é o principal agente influenciador, com seus dejetos e resíduos que produz que simplesmente devolve ao meio ambiente na forma de restos industriais e lixo domestico, sendo o principal poluidor e contaminador dos solos, rios, lagos e mares e ar. O artigo 1º, § 5º do CTB – Lei 9.503/97, é bem aplicado por estes seres, ou seja, a prioridade das ações para a defesa da vida, a preservação da saúde e do meio-ambiente, é seguida por todos, independentemente do status social, segmento ou porte.

O homem evoluiu consideravelmente ao longo dos séculos, com suas invenções e descobertas. O uso da tecnologia tornou-se cada vez mais presente no cotidiano representando ganho na qualidade de vida, por exemplo: o telefone celular encurta distâncias, aproxima pessoas, reduz deslocamentos, gera emprego nas industrias. Entretanto, seu uso traz consigo outras preocupações; suas baterias poluem o meio ambiente, seus usuários fazem uso do telefone ao volante colocando em risco a sua vida e demais usuários da via, o barulho irritante de determinados sons dos celulares incomodam as pessoas e produz poluição sonora. Enfim, traz alguns benefícios em prejuízo de outros.

Com isso, percebemos que o comportamento é o aspecto mais relevante nestes deslocamentos dos seres vivos. Estes comportamentos são bem diferentes quando analisamos homens e animais. Para os animais há uma consciência de grupo bem clara, definida e praticada por todos seus membros. No entanto, para os humanos impera a individualidade sobre o coletivo, trazendo prejuízo a toda a sociedade.

O comportamento humano representa a peça fundamental de todo e qualquer sistema, tendo em vista que o homem é capaz de tomar as decisões e rumos de um sistema. O homem com seus desejos, necessidades, medo, anseios, frustrações, enfim, uma série de emoções e sentimentos mais sua interação na sociedade pelos seus inter-relacionamentos pessoais configura-se como o elemento influenciador deste sistema, ele é o sujeito da ação e reação do sistema ao qual está inserido.

A raiz de toda a problemática do trânsito advém dos maus comportamentos de alguns indivíduos que querem levar vantagem sobre os outros, resultando com isso em prejuízo de todos. Enquanto existirem pessoas “espertas” no mundo, não vamos mudar e nem solucionar os conflitos nas vias. As sanções e medidas punitivas ou administrativas apenas adiam o problema. O foco está no comportamento do ser humano e devemos combate àqueles comportamentos que não se ajustam às regras de circulação e conduta, privilegiando aqueles que procuram cumprir as regras da sociedade.

Marco Aurélio Lima
Agente de Trânsito da Prefeitura de São Sebastião/SP.
Aluno da Pós-Graduação do CEAT (Centro de Estudos Avançados do Trânsito)





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