A hora de parar de dirigir

O Código de Trânsito Brasileiro não determina com que idade as pessoas precisam parar de dirigir e nem a idade máxima para requerer ou renovar a Carteira de Habilitação. Essa regra não existe porque é impossível determinar pela idade as condições que uma pessoa tem ou não de dirigir. Pode ser que uma pessoa de 80 anos tenha mais aptidão para dirigir do que uma pessoa de 42 anos. A decisão sobre a idade máxima para dirigir um carro tem que ser baseada em exame médico, onde serão avaliadas as condições físicas do condutor sem que ele represente um risco para outros motoristas, pedestres, ciclistas ou ainda para ele mesmo. A Resolução do Contran n° 007/98 regulamenta os exames médicos para a renovação da carteira de habilitação de 5 em 5 anos até os 65 anos de idade. E a partir daí, os exames médicos são exigidos a cada 3 anos.
Razões para parar de dirigir



Muitos motoristas param de dirigir cedo ao reconhecer que já não enxergam tão bem ou que sentem dificuldades para se integrarem ao ritmo agitado do trânsito. O ideal é que a pessoa apta a dirigir não tenha nenhuma restrição física. A médica Maria Seleste Fernandes de Sá, especialista em medicina de tráfego, afirma que a partir dos 65 anos, idade em que o indivíduo é considerado idoso conforme a Organização Mundial de Saúde – OMS, algumas condições de saúde são reduzidas. “Nessa idade a atenção e o reflexo, que é o tempo de reação, diminuem e representam um risco para o trânsito e para o próprio condutor”, explica. Os problemas de saúde que podem impedir um idoso de dirigir, de acordo com a especialista, são as doenças degenerativas do sistema nervoso central como o mal de Parkinson e de Alzheimer que têm tendências à demência. “Não só as doenças mais graves podem ser um empecilho para conduzir um veículo. Pessoas que têm problema de catarata ou hipertensão e diabetes não controladas arriscam sua segurança no trânsito”, ressalta a médica.

Segundo matéria da revista da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego - Abramet, os acidentes com idosos são indicadores de que houve mudança nas características biomecânicas, levando o indivíduo a um pobre ajustamento aos produtos e ambientes como a redução na força do joelho. Para o grupo de 70 a 80 anos a flexão do joelho varia de 56% a 78% da flexibilidade do grupo jovem (20-35 anos). A revista destacou também que o índice de alcoolemia entre motoristas idosos é baixo (menos de 4%). O problema é que a ingestão de álcool pelas pessoas mais idosas está no fato de que, o declínio da massa de sustentação do corpo com o avanço da idade, resulta no aumento do volume de distribuição para o álcool, sendo portanto maior o efeito nestas pessoas.

A maioria dos idosos dirige bem porque são mais calmos e prudentes. Mais um motivo para provar que não deve ser a idade avançada o fator determinante para qualquer pessoa parar de dirigir, e sim o estado físico e psicológico da pessoa. É uma pena, porque os motoristas de terceira idade têm um comportamento educado e quase sempre praticam a direção defensiva. Para os idosos, o grande problema em abrir mão da direção é o fato de não poder mais contar com o carro como meio de transporte. Afinal, o carro representa independência. Um idoso aposentado, por exemplo, que perde as condições necessárias para conduzir um carro, sofre alterações em sua rotina social. Visitas a casas de amigos e passeios ficam condicionados a disponibilidade de pessoas da família. Um outro problema é que sem o carro, a alternativa é o transporte público que é precário principalmente para os idosos.





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