Ligações perigosas



No mais recente Anuário Estarístico do Detran-RS, dirigir e falar ao celular figura como a sétima infração mais cometida no trânsito gaúcho. Apenas em 2002, foram 31.128 registros desse tipo infracional. Não se trata de uma guerra pessoal das autoridades de trânsito contra o aparelho em si (que, em situações como a de um seqüestro-relâmpago, pode mesmo salvar um cidadão), basta que para atendê-lo o condutor estacione em local seguro e faça ou receba sua ligação.
O perigo de sua utilização concomitante com a direção é tal que um dos grupos de estudantes vencedores da última edição do Prêmio Detran-RS Publicidade Pela Vida propôs que nas embalagens de telefone celular viesse impressa uma advertência de uso indevido no trânsito (nos moldes de “O Ministério da Saúde alerta: fumar pode causar...).
O motivo de a legislação coibir o celular é duplo: por um lado, assim como um chimarrão, passar baton ou um cigarro, o indivíduo tiraria uma das mãos do volante, ficando prejudicada uma eventual necessidade de manobra mais rápida ou precisa. Além disso, parte da capacidade cognitiva, de recursos de atenção, é alocada para a ligação recebida e, via de regra, uma ligação pelo celular tem um senso de urgência maior que o de uma ligação para telefone fixo. Ou seja, o assunto é em geral mais importante e damos mais atenção a ele – por conseguinte, menos atenção ao trânsito.
Um relatório do Transport Research Laboratory, do Reino Unido, apontou que falar ao telefone celular enquanto se dirige é mais perigoso do que guiar embriagado. O motorista com um celular no ouvido vai reagir de forma muito mais lenta aos perigos e sua distância de frenagem a 120 quilômetros por hora é 14 metros mais longa do que a de um motorista normal e 10 metros maior do que a de um embriagado.
Já um estudo de Utah (EUA) mostrou que condutores ao volante falando pelo celular, mesmo com o fone de ouvido, ficam com visão afunilada e mesmas reações de 0,8 decigramas de álcool, o que seria considerado embiagado, à luz da legislação brasileira.
No ano passado a Progressive Insurance, de Ohio (EUA), entrevistou 30 mil motoristas e 69% admitiram comer ao volante, 44% confessaram uso de celulares e 12% barbeavam-se ou aplicavam maquiagem.
Uma curiosidade que alguns estudos indicam que condutores de veículos 4X4 falam mais ao celular que os demais.
Conforme o Conselho Europeu de Segurança no Transporte, o risco de acidentes de trânsito ao falar por celular enquanto se dirige é de quatro vezes maior do que o normal. Mesmo falar com as mãos livre, por fone auricular, tem esse mesmo aumento de risco quadruplicado. As conclusões são de uma pesquisa feita pela entidade canadense de trânsito AAA Foundation for Traffic Safety. O estudo mostrou ainda que a distração provocada pelo telefone celular é duas ou três vezes maior em pessoas com mais de 50 anos.
Pelo Código de Trânsito Brasileiro, dirigir com apenas uma das mãos é infração média, com a perda de quatro pontos e multa de R$ 85,00. O valor é alto. Mas sua vida vale muito mais.



Por Paulo Ricardo Meira,
Professor do UniRitter e Técnico Superior em Trânsito do Detran-RS





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