GUIA DO SONO

Nos últimos cinco anos, importantes descobertas médicas têm levado à uma diminuição considerável na taxa de mortalidade nos EUA, especialmente entre a população jovem da América.

Os acidentes em geral, são, por definição, imprevisíveis, portanto, difíceis de evitar. O acidente automobilístico é a terceira principal causa de morte e ferimentos nos EUA, com 40 a 50 mil pessoas mortas em aproximadamente dois milhões de acidentes por ano. (US Bureau of the Census Statistical Abstract of United States : 1900. Washington, DC : US Dept. of Commerce, 1900 : 79, 606).

Os dois fatores mais reconhecidos como causa dos acidentes de trânsito são a velocidade e o álcool, entretanto, a desatenção, a fadiga e a sonolência são fatores considerados também como grandes contribuintes. Mais atenção tem sido focalizadas nos últimos anos à relação entre sonolência e acidentes.

Estudos mostram uma ligação muito forte entre distúrbios do sono e acidentes de veículos a motor. O papel da sonolência e dos distúrbios do sono parece estar subestimado em comparação às causas clássicas de acidente, como álcool e uso de drogas, que podem também estar associados à sonolência.

De acordo com a última classificação internacional de sono, sonolência significa a dificuldade em manter um estado de alerta.

Está dividida em três graus de severidade:

1. Sonolência leve : Manifesta-se em estado de pausa ou repouso em tarefas que requerem pouca atenção.

2. Sonolência moderada : Pode comprometer a mais leve atividade física e tarefas que exijam um grau moderado de alerta, como, por exemplo, dirigir.

3. Sonolência severa : Manifesta-se diariamente, mesmo durante atividades físicas como comer e andar. O prejuízo para o relacionamento social e para o trabalho é considerável.

O sono tende a um ritmo circadiano tanto durante o dia como durante a noite. A tendência a dormir é muito grande entre 2h e 7h e um pouco menor entre 14h e 17h. A tendência a dormir é também aumentada pela privação e interrupção do sono. Os efeitos da perda de sono são cumulativos, a sonolência aumenta progressivamente com a diminuição das horas de sono.

Outros estudos têm demonstrado uma distribuição, também circadiana, da tendência a cometer erros durante as horas da noite. Um trabalho sueco (1) mostrou que ocorrem, num ciclo de 24 horas, dois picos onde a possibilidade de erro é máxima: Um deles, entre 2h e 4h, e outro, menos importante que o primeiro, entre 14h e 16h. A resposta reativa e a performance na direção estão, também consideravelmente diminuídas durante a noite.

Com base nessas evidências fisiológicas, muitos estudos e observações vêm sendo desenvolvidos, para demonstrar o papel específico da sonolência nos acidentes de trabalho e de veículos a motor.

Aproximadamente, 80 milhões de americanos que têm sérios problemas de sono são ignorados, ou por que eles não relatam seus sintomas, ou por que os médicos não perguntam. Portanto, o tratamento das queixas do sono, como a apeia, está comprometido devido a esse desinteresse (2, 3).

Indivíduos com insônia crônica referem 2,5 vezes mais acidentes automobilísticos por fadiga, habilidade diminuída para concentrar-se, memória prejudicada, dificuldade para executar tarefas diárias e prejuízo no relacionamento social. Uma série de estudos epidemiológicos têm sugerido que o risco desta complicação de saúde pode ser reduzido significantemente através de diagnósticos mais efetivos e tratamento adequado.

Avaliar com mais precisão a importância do sono e seus distúrbios é uma tarefa mais crítica agora do que em qualquer outra época da história. A sofisticação industrial atual e a operação dos transportes requerem a manutenção de um estado de alerta que muitos trabalhadores são incapazes de manter. Considerando que as conseqüências de um erro cometido por um cocheiro de diligência há 150 anos, pôde equivaler a nada mais do que uma roda quebrada, hoje, um erro cometido por um motorista com privação de sono, pode resultar em perda de vidas e profundo sofrimento humano.

Esses argumentos se tornaram um fator de pressão, após a constatação da grande ignorância que há sobre as conseqüências que a má qualidade e a privação do sono exercem sobre a saúde e a economia.

Em relatórios realizados pelo Comitê Nacional de Pesquisa sobre os distúrbios do sono, foi observado que o médico generalista desconhece os perigos que a sonolência e a apnéia do sono apresentam para a saúde e a e a segurança da comunidade.

Um sono inadequado ou insuficiente pode resultar em fadiga ou prejuízo para a

Vigilância e habilidade cognitiva, reduzindo a produtividade no trabalho, aumentando a oportunidade de erro humano e acidentes relacionados à fadiga.

Clinicamente, a síndrome da apnéia do sono é o distúrbio mais comum associado à sonolência diurna excessiva. Porém, nem toda sonolência diurna, é produzida por doenças. As causas podem variar desde uma noite de sono inadequado, uma mudança no horário de trabalho ou ingestão de medicamentos que produzam sonolência. Uma porcentagem dos que se queixam de cansaço está sofrendo de uma exaustão mais geral, subordinada, em muitos casos, a um estado depressivo.

De maneira geral, as causas mais comuns de cansaço são os distúrbios do sono noturno, que têm como fatores desencadeantes o ato de roncar (que em muitos casos também envolve uma respiração irregular com pausas respiratórias durante o sono), a ansiedade e a tensão.

O cansaço pode tomar forma de sonolência franca, com tendência ao adormecer. Por outro lado, pode significar um estado de exaustão. Ambos os casos envolvem prejuízo à vida produtiva e à comunicação social. A sonolência, entretanto, é considerada a forma mais perigosa, por apresentar risco de acidentes, especialmente de tráfego, ou em outras situações que exijam um estado de alerta permanente.

Portanto, o cansaço leva para, ou torna possível, o acidente de tráfego, sendo um fator de significativa importância. Quase metade dos que mencionam envolvimento com acidentes em conseqüência do cansaço, relataram fadiga muitos dias na semana, ou roncaram durante toda a noite.

Na emissão de carteiras para motoristas, uma atenção maior precisa ser dispensada à qualidade do sono do motorista, porque nas Clínicas de Sono americanas, uma grande porcentagem dos pacientes, sofre especificamente de sonolência diurna. Quase a metade deles já esteve envolvida em acidentes de trânsito e a outra metade já teve acidentes de trabalho.

Embora nenhum grupo esteja isento de problemas de sono, os trabalhadores noturnos estão particularmente expostos, com possibilidade de adormecer no trabalho duas a cinco vezes maior. Cerca de 20% da força de trabalho americana é composta por trabalhadores noturnos, que estão empregados em indústrias operacionais ou técnicas, transporte e serviços de saúde e emergência. Fadiga no trabalho e sonolência em trabalhadores noturnos podem, conseqüentemente, ter resultados devastadores: Em 1988, uma colisão de trens de carga da C.R. Corporation, resultou em fatalidade e mais de seis milhões de dólares em danos estruturais e a trágica explosão do ônibus espacial Challenger, são mais dois exemplos.

Portanto, a perda e os distúrbios do sono desempenham um papel importante dentro das causas do acidente de tráfego.

Mesmo pessoas com sono normal, que têm insônia ocasionalmente ou vêm tendo privação temporária de sono, podem apresentar o mesmo grau de fadiga que as pessoas com distúrbios crônicos de sono e, portanto, ter um risco de acidente similar.

A segurança dos motoristas com privação de sono parece ser mais colocada em risco através do uso do etanol. Estudos indicam que, mesmo o consumo moderado de etanol, pode aumentar incrivelmente a fadiga de indivíduos que tiveram uma noite de sono inadequada.

ESTATÍSTICAS

O Departamento de Transportes americano realizou pesquisas em várias cidades sobre a sonolência no transporte. De acordo com essas pesquisas, motoristas sem distúrbios do sono apresentam uma taxa menor que 20% de episódios de sonolência, enquanto dirigem. A pesquisa também indicou que os acidentes de veículo a motor estão diretamente relacionados com sonolência em 1% a 10% dos casos.

Outro estudo interessante feito pela Administração Nacional de Segurança no Transporte pelas Auto-Estradas (1995), através da análise de arquivo de 3,1 milhões de batidas em cinco estados, detectou que:

· 1,4% das batidas e 1,75% dos acidentes fatais com veículos a motor estavam relacionados com sonolência;

· 76% dos acidentes relacionados com sonolência foram batidas envolvendo um só veículo.

Em outra pesquisa realizada pela mesma instituição, ficou demonstrado que 4% dos 6,6 milhões de erros cometidos no ato de dirigir, podem estar relacionados com a sonolência e a falta de atenção.

Estes dados, no entanto parecem estar subestimados e a sonolência, provavelmente, não ser referida por muitas razões.

A fadiga não é freqüentemente pesquisada entre as pessoas acidentadas. Muitas vezes as pessoas envolvidas não querem informar, oficialmente, ou mesmo a seus amigos e familiares, que dormiram na direção, porque isso implicaria em admitir a sua responsabilidade sobre o acidente. Às vezes os motoristas não querem admitir a si mesmos, que dormiram na direção.

Portanto, a sonolência é freqüentemente ignorada como causa, por ser o acidente atribuído ao uso do álcool, drogas ou, mau tempo, que são fatores facilmente constatáveis, não acontecendo o mesmo com a fadiga, que é de difícil determinação. Outro fato é que um grande número de americanos não sabe que sofre de um distúrbio do sono e, para eles, é mais difícil admitir que dormiram na direção.

Quando se pergunta às pessoas portadoras de distúrbios do sono sobre acidentes e direção, suas respostas indicam que adormeceram enquanto dirigiam, numa freqüência de 30% a 93%, dependendo da patologia:

· Pacientes com apnéia do sono: A taxa variou de 31% a 93%

· Pacientes com narcolepsia: 25%

· 24% dos pacientes que dormiram várias vezes enquanto dirigiam, o fizeram pelo menos uma vez por semana.

Estatísticas da Clínica Stantford mostram que:

· 15% a 45% dos pacientes com apnéia do sono;

· 12% a 30% dos pacientes com narcolepsia;

· 2% a 8% dos pacientes com insônia,

Referiram pelo menos um acidente relacionado com sonolência. Estes pacientes sabiam que tinham problemas e não hesitariam em referir seus acidentes.

ACIDENTES DE VEÍCULOS A MOTOR E SONOLÊNCIA

· 54% das mortes em acidentes de veículos a motor aconteceram à noite.

· 36,1% dos acidentes fatais e 41,6% do total de acidentes aconteceram das 2h às 7h e das 14h às 17h, horários em que a sonolência é maior.

Estes dados confirmam que dos acidentes de veículos a motor, que aconteceram à noite, muitos estão relacionados com a sonolência. A maioria dos acidentes noturnos envolvem um só veículo e nesses, a falta de atenção e o cansaço podem ser a causa.

Para resumir, uma porcentagem estimada do total de acidentes e dos acidentes fatais relacionados com sonolência, é indicada pelo Car-File Study (Transportation Related Sleep Research. Car-File Study. Departament of Trasportation, 1985). Essa pesquisa é a mais completa até o presente e seus resultados mostram que:

· 1,4% do total de acidentes

· 1,75% das fatalidades estão diretamente relacionadas com a sonolência.

CONCLUSÃO

O acidente de trânsito é uma das principais causa de morte no mundo atual, principalmente na faixa etária dos 15 aos 40 anos, atingindo, portanto, a população jovem e economicamente ativa, que é retirada do mercado no seu pico de produtividade, interferindo assim, drasticamente, sobre a economia, já que o custo para a nação, dos acidentados com ferimentos incapacitantes, é alto.

A sonolência, a desatenção e a fadiga passaram a funcionar, junto com o álcool, as drogas e as condições perigosas de direção, como fatores que também predispõem ao acidente de trânsito.

Pesquisar a qualidade do sono ainda não faz parte da anamnese do médico generalista e da rotina das clínicas para licenciamento de motoristas, porque os distúrbios do sono, ainda são desconhecidos pela maioria dos médicos.

Por outro lado, o público também não avalia a influência que a sonolência e a fadiga extrema exercem sobre o ato de dirigir. A sonolência compromete em vários graus as funções cognitivas, a memória, a concentração e, principalmente, o estado de alerta, implicando em riscos de acidentes, principalmente de tráfego e diminuição do desempenho em situações que exijam um estado de alerta permanente.

As causas que, mais comumente, podem determinar sonolência diurna variam desde uma noite de sono inadequada, mudanças no horário de trabalho, ingestão de medicamentos que produzem sonolência, ansiedade e tensão, até distúrbios mais importantes como a insônia e a apnéia do sono. Outro fator desconhecido pelo público é, que mesmo o uso moderado de álcool pode aumentar incrivelmente a fadiga de indivíduos que estejam privados de sono.

Pesquisas recentes mostram que 1,4% do total de acidentes e 1,75% das fatalidades estão diretamente relacionadas com a sonolência.

Portanto, o diagnóstico dos distúrbios do sono deve ser mais preciso e mais freqüente. O público deve ser informado e educado sobre o perigo da sonolência na direção veicular e os especialistas em Medicina de Tráfego, em conjunto com outros especialistas em sono, estão desafiados a desenvolver métodos que ajudem no reconhecimento da sonolência e na orientação desses pacientes.



COMO EVITAR O SONO

OS 10 MANDAMENTOS



1. As horas mais perigosas são das 3 às 6 da madrugada, ao amanhecer e ao entardecer.

2. Procurar não conduzir de noite durante longos trajetos.

3. Parar frequentemente para romper a monotonia

4. Não adaptar nunca uma postura demasiado relaxada

5. Prestar mais atenção nas estradas de traçado monótono com retas longas

6. Não consumir álcool nem efetuar refeições copiosas.

7. Ventilar e refrescar o interior do veículo.

8. Não escutar música excessivamente relaxante, e falar com os ocupantes do veículo.

9. Não dirigir as saídas de ar para os olhos, apenas para os braços ou para o corpo

10. Mudar de velocidade e de caixa mais frequentemente.





CONTATOS












Notícias de Trânsito

desde 1998 o portal
do trânsito brasileiro